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Posted in Uncategorized on Setembro 18, 2011 by cibermundos

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Omega Art Gallery

Posted in Arte, Arte em SL, Ciberespaço with tags , on Maio 30, 2010 by cibermundos

A Pirats Art Network é uma associação sem fins lucrativos, fundada por Merlina Rokocoko e Newbab Zsigmond, destinada à promoção da Arte e da Criação. Pirats é uma rede artística digital independente que disponibiliza recursos para artistas e artesãos das artes gráficas, artes sonoras, cultura e filosofia na realidade digital.

No dia 25 de Maio, foi inaugurada, no mundo virtual Second Life, mais uma galeria: a Omega Art Gallery. Este género de projectos faz-nos reflectir sobre as potencialidades do ciberespaço na divulgação de projectos criativos que, por diversas razões – especialmente as de carácter económico -, não conheceriam o mesmo sucesso no espaço físico.

A discussão que importará alimentar, a partir destes exemplos, levar-nos-á a uma análise sobre a importância da sociedade em rede e das novas plataformas de criação artística na educação pela arte, constituindo-se as galerias virtuais como espaço de verdadeira inclusão e igualdade de oportunidades. Sobre este assunto, será imprescindível falar-se da agenda do acesso e do código do acesso, condições necessárias para que tal seja possível (Gounari, 2009). A primeira, tem a ver com a capacidade económica dos cidadãos para aquisição do hardware necessário à utilização das novas ferramentas (computador pessoal, modem, banda larga). O segundo, com o capital cultural mediador de negociação e significado. Das questões levantadas, emerge a condição essencial para o sucesso das tecnologias de informação e comunicação: a convergência dos objectivos de acesso às ferramentas e de acesso ao código. Aqui reside a questão fulcral e óbice de uma profunda e autêntica sociedade participativa.

Referências

Gounari, P. (2009). A Democracia na Nova Era Tecnológica. Magualde: Edições Pedago.

A falsa oposição entre cultura e técnica

Posted in Dualismos with tags , on Maio 29, 2010 by cibermundos

© Rose Borschovski aka Saskia Boddeke

A forte tendência para separar a tecnologia do mundo dos homens, como se esta fosse um protagonista autónomo – separado da sociedade e da cultura – parece não fazer sentido senão numa proposta que ignore, na realidade técnica, a sua componente humana. Poderá este misoneísmo representar um verdadeiro ódio pela novidade? Ora, nesta questão reside grande parte da resposta para o que hoje chamamos de alienação contemporânea. Na opinião de Gilbert Simondon[1], “(…) a mais forte causa de alienação do mundo contemporâneo reside nesse desconhecimento da máquina, que não é uma alienação causada pela máquina, mas pelo não-conhecimento da sua natureza e da sua essência [...]” (Simondon, 2008: 169). Interessante será estabelecer um paralelismo entre o pensamento de Simondon e o de Pierre Lévy[2]: “Mesmo supondo que existem efectivamente três entidades: técnica, cultura e sociedade, mais do que acentuar o impacto das tecnologias poderíamos do mesmo modo afirmar que as tecnologias são produtos de uma sociedade e de uma cultura” (Lévy, 2000: 23). Esta esclarecida análise, quer de um quer de outro pensador, pretende (re)lembrar que existe uma grande dose de indeterminação naquilo que são as relações humanas mediadas pelas novas ferramentas da comunicação, tal como, por outro lado, existe um tecnicismo que não passa de uma idolatria da máquina, “uma aspiração tecnocrata ao poder incondicional” (Simondon, 2008: 170).

Neste contexto, vêem-se as novas ferramentas de comunicação em rede como uma teia que ameaça o homem, provida de alma e de uma existência separada, capaz de produzir os mais variados e nocivos sentimentos, lançando-o para um abismo de submissão permanente e irreversível que vai destruindo as suas relações sociais e encaminhando-o para o fugaz e para o difuso, cenário que se apresenta castrador da mais elementar liberdade. Esse mesmo homem que, ainda segundo Simondon, é possuidor de uma cultura que não lhe permitiria falar de objectos ou personagens pintadas sobre uma tela como verdadeiras realidades, possuindo uma interioridade, uma vontade boa ou má (Simondon, 2008). Vemos nesta abordagem da relação homem/técnica uma flagrante ambivalência: objectos técnicos como meros utensílios versus objectos animados por intenções hostis que representam “um perigo permanente de agressão, de insurreição” (Simondon, 2008: 170).

As redes de informação – dependentes de um elevado grau de tecnologia –, onde o fluxo binário circula por infra-estruturas mediadas por máquinas e suportado em diversos conjuntos de linguagem codificada, fundam-se, em certa medida, numa alargada margem de indeterminação. Aí, o homem não pode fugir ao seu papel de organizador permanente, como se de um maestro se tratasse, condicionando o fluxo de dados, quer pela sua natureza quer pela sua utilização:

“As relações verdadeiras não se tecem portanto entre a tecnologia (que seria da ordem da causa) e a cultura (que sofreria os efeitos), mas entre uma multidão de protagonistas humanos que inventam, produzem, utilizam e interpretam técnicas de forma diversa” (Lévy, 2000: 23).

Este grau de indeterminação humano que subjaz à utilização das máquinas, da tecnologia e, por familiaridade, das ferramentas de comunicação em rede, será a chave para a sua correcta – ou não – utilização.


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[1] Gilbert Simondon (1924-1989) foi filósofo e professor da Universidade de Paris-Sorbonne e publicou, entre outros: Du monde d’existence des objets techniques (Paris: Aubier, 1958); L’individu et sa genèse physico-biologique (Paris: PUF, 1964); e L’individuation psychique et collective (Paris: Aubier, 1989).

[2] Pierre Lévy (Tunísia, 1956) é um filósofo da informação que se ocupa do estudo das interacções entre Internet e sociedade (Cf. Wikipédia [em linha]. Acedido em 9 de Maio de 2010 em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Pierre_Lévy).

Referências

Lévy, P. (2000). Cibercultura. Lisboa: Instituto Piaget.
Simondon, G. (2008). Cultura e Técnica. Revista NADA, 11, 168-175.

Andróide ou Humano?

Posted in Cibercultura, Ciberespaço with tags , on Maio 22, 2010 by cibermundos

© 2008 Julio

A relação dialéctica entre realidade e construção mental, segundo uma perspectiva construtivo-cognitiva, define os processos de aprendizagem e tomada de consciência ontológica, revelando-nos o mundo de uma forma subjectivamente kantiana. A questão epistemológica tradicional sobre o objecto do conhecimento encontra aqui respostas concretas, podendo traduzir-se a realidade pelo resultado de uma reprodução “passiva”, susceptível de encontrar a sua fórmula na validação a posteriori de um algoritmo matemático castrador das autonomias próprias. Este advento da técnica e da racionalidade deveria colocar o homem no rumo do interesse colectivo, através de um discurso técnico que resolveria todos os problemas.

Se pensarmos as relações resultantes da comunicação em rede como uma espécie de processo cibernético de retroacção – em que a relação de causalidade linear se rompe e o círculo causal A age sobre B que em retorno age sobre A se estabelece –, poderemos ser tentados a utilizar a analogia que é estabelecida entre o comportamento das máquinas e dos seres humanos para nos auto-entitularmos Andróides: a experiência tornar-se-ia determinante, neste processo, sob a forma de um check digit informático, o que configuraria a construção racional da realidade como produto de processos cognitivos individuais e não como resultado de uma vivência social e histórica (Sampson, 1981).

Esta visão suporta facilmente a tese de que as novas tecnologias operam sobre os indivíduos processos de transformação alienadores e inibidores, bastando compreender o comportamento das máquinas para nos compreendermos a nós próprios.

Numa outra perspectiva, o grau de indeterminação que subsiste na consistência material das infra-estruturas de comunicação deixa espaço para que sejamos levados a pensar esta relação como inversa, ou seja, “(…) é agora possível estudar a nossa envolvente artificial, de que modo se comporta, por que o faz e o que procura fazer, por analogia com aquilo que sabemos acerca de nós próprios” (Dick, 2006: 31).

Partindo de um ponto de vista optimista, pode a utilização destes fluxos de informação horizontais ser associada a uma forte componente antropológica que reconheça em cada um dos indivíduos a sua componente humana, bem como o importante papel da comunicação nos processos de construção de identidades sociais com base na retroacção: “Para se compreender a si próprio, o homem precisa de ser compreendido pelo seu semelhante. Para ser compreendido pelo seu semelhante, precisa de o compreender” (Hora cit. por Watzlawick, 1991: 13). Esta necessidade dialógica deverá ser, antes de tudo, um processo interno que consolide a idiossincrasia de cada um dos cibercidadãos. Se assim for, estaremos a contribuir para a constituição, não de um sincretismo sinónimo de reificação do ser humano, mas para uma plêiade de autenticidade e enriquecimento mútuo: “(…) o que define andróide e humano não é a sua origem, maquínica ou orgânica, mas sim as acções, rígidas ou empáticas, perante os seus semelhantes. Um andróide pode agir humanamente tanto quanto um humano [...] pode comportar-se como um andróide” (Dick, 2006: 13-14).

Referências

Dick, P. K. (2006). O andróide e o humano. Lisboa: Vega.
Sampson, E. (1981). Cognitive psychology as ideology. American Psychologist, 36, 30-43.
Watzlawick, P. (1991). A realidade é real?. Lisboa: Relógio D’Água.

Suportes digitais: memória ou esquecimento?

Posted in Arte, Ciberespaço with tags on Maio 14, 2010 by cibermundos

© Rose Borschovski aka Saskia Boddeke

“Uma obra de arte, não importa quão antiga e clássica, é realmente, e não apenas potencialmente, uma obra de arte quando vive em qualquer experiência individualizada [...]” (Dewey cit. por Brandi, 2006:2).

Desta forma, toda a obra de arte é recriada, independentemente do seu suporte ou consistência material. Esta instância estética, que Cesare Brandi sobrepõe à consistência física, ganha, no cibermundo, uma importância acrescida, tanto mais que a ubiquidade e a desterritorialização relegam a dimensão histórica de tempo e lugar para um plano difuso e efémero. Por outro lado, a questão da conservação ou restauro da obra de arte está excluída pela natureza imutável da sua materialidade. Mas não será que o ciberespaço coloca questões análogas às de natureza orgânica?

Se o que subsiste para a obra de arte digital é um conjunto de informação binária dependente de um suporte e protocolo digitais, dir-se-á que a consistência material da obra de arte digital é ela própria multiplicada por um infinito número de réplicas, tantas quantas o espaço de armazenamento permitir. Platão, no diálogo Meno, reduz a memória a uma técnica de recordar a partir de uma dada informação. Esta techne de recordar “requer uma substância ou material sobre o qual trabalhar e ao qual dar forma [...]” (Caygill, 2006:53). Poderá o ciberespaço ser uma técnica de recordar a partir de um arquivo global? Estará a hierarquia associada ao arquivo a dissolver-se? (Caygill, 2006).

© Rose Borschovski aka Saskia Boddeke

À promessa de uma nova arte de memória, contrapomos a efemeridade, a contigência ou a falência dos sistemas. À reprodutabilidade da obra de arte digital, contrapomos a disseminação de falsos artísticos.

A facilidade com que se copia, manipula e se multiplica o “objecto” coloca-nos perante o perigo da transferência da monumentalidade como processo orgânico para a monumentalidade como processo cognitivo. Se com o advento da imprensa e da fotografia esse processo estava já iniciado, o ciberespaço relança a discussão sobre as potencialidades deste como suporte futuro da nossa memória colectiva.

Referências

Brandi, C. (2006). Teoria do Restauro. Amadora: Orion.
Caygill, H. (2006). Meno e a Internet: entre a memória e o arquivo. Revista NADA, 8, 52-63.

Lost In Counting

Posted in Arte, Machinima, Second Life with tags on Maio 14, 2010 by cibermundos

Rose Borchovski aka Saskia Boddeke, filmou em Second Life esta curta metragem “Lost in Counting”.

A lógica? “As proposições da lógica são tautológicas”, diria Wittgenstein.

6.022 O conceito de número não é senão o que é comum a todos os números, a forma geral do número (Ludwig Wittgenstein, Tratado Lógico-Filosófico, p.118)

A reprodutibilidade da obra de arte “virtual”

Posted in Arte, Arte em SL, Second Life with tags , , on Maio 12, 2010 by cibermundos

Os métodos de reprodução técnica da obra de arte remontam à Antiguidade. Walter Benjamim lembra que, por princípio, “(…) a obra de arte sempre foi reprodutível” (Benjamim, 1992:75). Nos mundos virtuais, a questão levantada é a reprodução da obra de arte através da tecnologia. O debate entre cultura e técnica esquece o grau de indeterminação dos sistemas que, em última análise, deposita no homem a condução dos seus destinos. Vemos robôs onde eles não existem. E somos nós os mesmos que rejeitam nos objectos e nas imagens de uma tela a existência de uma ontologia própria e autónoma. Nesse sentido, o medo da tecnologia é um erro que tem pouco de misoneísmo e mais de rejeição do estrangeiro.

Cabe a esse propósito referir a exposição que, em Second Life, Ling Serenity (aka Melina m) apresenta na Galeria LX (http://maps.secondlife.com/secondlife/Portucalis/94/26/22) e que mostra uma arte inspirada na animação japonesa. A propósito da autora, Ibrahim Bates escreve:

“Ling trabalha a sua arte tão calmamente num sorriso, numa interrogação, numa expressão de dúvida, ou mistério, ou tristeza, ou sofrimento, ou alegria, ou medo, ou como qualquer mulher que se olha ao espelho, num corpo de boneca frágil e gentil” (Ibhraim Bates, co-proprietário da Galeria LX [trad. nossa])

Vale a pena uma visita

Referências

Benjamim, W. (1992). Sobre Arte, Técnica, Linguagem e Política. Lisboa: Relógio D’Água

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